Arco do Triunfo
Hoje, na hora em que tudo acaba e nada perdurará, olhamo-nos no escuro. Trocamos um olhar, é o suficiente para dizermos mil palavras bonitas ou feias. Percebi que relembravas o nosso Arco do Triunfo. Quando eramos mais novos, assim lhe chamamos e tornou-se o símbolo das nossas conquistas, das nossas vitórias, por mais pequenas ou insignificantes que estas fossem.
Hoje, que vamos desaparecer deste mundo, se é que alguma vez aqui estivemos realmente, percebo as tuas lágrimas. O Arco do Triunfo metaforiza a nossa derrota. Falhámos. Não revolucionámos nada, mudámos tão poucas coisas, deixámo-nos levar demasiadas vezes pelo mundo que nos esmaga, que nos leva à derrota.
Hoje, e agora que sabemos que nada mais é importante, será que alguma vez alguma coisa o foi?, consolo-te. Digo-te que a culpa não foi só nossa, que ambos sabemos que aqui é impossível sermos felizes, é impossível viver. Choro também, não de tristeza. Choro de conformismo.
Hoje, debaixo do nosso Arco da Derrota choramos. E esperamos. Esperamos que tudo isto acabe. Por que já não aguentamos, é tudo tão demasiado para nós. Só nos resta esperar pela hora. E esperamos, enroscados um no outro, em busca de um ténue conforto, que nos ajude a passar o tempo.

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